Ateliê Ricardo Montenegro Biografia Como comprar Contato
 
 
 
 
  Todos (644)
  Angra Dos Reis (1)
  Aparecida (37)
  Arapeí (1)
  Areias (4)
  Bananal (7)
  Cachoeira Paulista (9)
  Caçapava (13)
  Campos Do Jordão (46)
  Canas (1)
  Caraguatatuba (2)
  Cruzeiro (11)
  Cunha (14)
  Gonçalves (9)
  Guararema (6)
  Guaratingueta (16)
  Ilhabela (5)
  Jacareí (13)
  Jambeiro (10)
  Lagoinha (5)
  Lavrinhas (1)
  Lorena (17)
  Monteiro Lobato (1)
  Natividade Da Serra (11)
  Paraibuna (17)
  Paraty (14)
  Pindamonhangaba (21)
  Piquete (1)
  Potim (1)
  Queluz (8)
  Quiririm (21)
  Redenção Da Serra (5)
  Rio De Janeiro (17)
  Roseira (1)
  Santa Branca (8)
  Santo Antônio Do Pinhal (18)
  Santos (20)
  São Bento Do Sapucaí (12)
  São Francisco Xavier (11)
  São José Do Barreiro (7)
  São José Dos Campos (26)
  São Luiz Do Paraitinga (28)
  São Paulo (53)
  São Sebastião (15)
  São Vicente (6)
  Taubaté (51)
  Tremembé (19)
  Ubatuba (24)
 São Sebastião - Vista panorâmica da praia de Juquehy Ref. 051saosebastiao  
 Taubaté - Santuário de Santa Terezinha Ref. 124taubate  
 Rio De Janeiro - Antiga Praça General Osório 1909 Ref. 458riodejaneiro  
 São José Dos Campos - Banhado Ref. 556saojosedoscampos  
 São Luiz Do Paraitinga - Descanso e ponto de encontro na praça Dr. Oswaldo Cruz Ref. 007saoluizdoparaitinga  

Memória colorida

O artista plástico Ricardo Montenegro usa aquarela para retratar cenas e lugares que contam a história de São Paulo

Por: MARIANNE PIEMONTE

"Era outra época, quando havia tempo para contemplação e gentileza", lembra Ricardo Montenegro, 62. Ele se refere ao começo dos anos 1960, quando, aos 13 anos, era contínuo de uma agência de publicidade na rua Sete de Abril, uma das vias mais elegantes do centro antigo de São Paulo. Entre uma tarefa e outra, ele observava, pela janela do ônibus, os detalhes da arquitetura dos prédios históricos da cidade.

Aqueles portões de ferro trabalhado e os postes de luz de 1927 desenhavam o cenário perfeito para estimular os primeiros traços do menino que não saía de casa sem caderno de desenho e lápis de cor.

Hoje, essas memórias coloridas foram transformadas em aquarelas, cujos principais compradores são brasileiros que vivem fora do país.

O segundo emprego de Ricardo foi como auxiliar de desenhista na extinta Light, no prédio da praça Ramos de Azevedo. Trabalhava no departamento do patrimônio histórico, onde recebeu aulas de desenho do time de desenhistas canadenses que chefiavam a equipe.

Ele conta que queria ter cursado faculdade de arquitetura, mas se formou em engenharia industrial "para não morrer de fome", seguindo os conselhos de seu pai. Graças a um professor italiano, Ricardo se apaixonou pelo design, porém linhas ?e formas tiveram de esperar.

Por muito tempo, ele trabalhou como executivo em indústrias no Vale do Paraíba. "Tinha helicóptero à disposição, mas vivia sob ameaça de infarto", diz. Há 20 anos, Ricardo mudou a paleta de cores de sua vida. Trocou o cinza da indústria, iluminado pelas luzes frias das salas de reuniões, pela delicadeza das tintas que recebem água para se revelar.

Hoje, vive da venda das aquarelas que pinta e das aulas de desenho que ministra no ateliê construído em sua casa, em Taubaté (140 km a nordeste de SP). Quando fica estressado, seu refúgio é uma mexeriqueira, plantada no quintal. Ele e os alunos costumam se reunir ao pé da árvore para saborear a fruta colhida na hora.

Tempo da gentileza
As lembranças que Ricardo carrega desde os tempos em que perambulava pelo centro de São Paulo foram enriquecidas por visitas a arquivos de bibliotecas e de empresas como a Comgás (Companhia de Gás de São Paulo) e a Eletropaulo.

O resultado dessas pesquisas foram 25 aquarelas que têm São Paulo como tema. As originais custam R$ 5.000 (cada uma) e as reproduções, R$ 35 (www.ateliermontenegro.com.br).

Na série, está retratada a cidade do "tempo da gentileza": carruagens em frente ao Teatro Municipal e homens de chapéu passeando pela avenida São João em meio a belas árvores frondosas. Entre as mais vendidas estão as aquarelas da famosa esquina da avenida Ipiranga com a São João e a da praça da Sé. No entanto, é a do bucólico largo da Batata a eleita do artista. "Aquele era o meu pedaço da cidade."

Quando criança, ele, o pai, que foi advogado da Light, a mãe e os nove irmãos moravam na rua Cunha Gago, em Pinheiros, na zona oeste, numa casa bem próxima ao largo de Pinheiros. "Minha mãe ficava sentada próxima à janela, com o jornal espalhado pelo chão. Lia e comentava as notícias com a turma de casa", conta. "As de que ela mais gostava eram as colunas sociais, aqueles relatos ?de festas suntuosas", lembra.

Da mesma janela, Ricardo, ainda menino, observava o movimento de homens comprando e vendendo mercadorias, carregadas nas costas, em imensos sacos.

Segundo ele, a região tinha um odor característico, um misto de frutas, animais e aglomeração.

Naquele largo, funciona agora a estação Faria Lima do metrô. "Aquela região era uma incógnita para mim", diz. Retrato de uma cidade de outro tempo, que existe apenas na memória e nas aquarelas de Ricardo.

Fonte:




Licença Creative Commons   Esta obra foi licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada. Design Paula Miné | Programção TAG